bordado

Bordado da Amazônia

Gente, hoje queria falar de um assunto que eu me interesso muuuuito, o AVESSO. Neste trabalho de bordado fiz o avesso todo malucão, uma espécie de “mandinga” , materializando meus desejos no meu bordado! Com as 7 cores do arco íris, fiz uma linha entre mim e o meu maridão, simbolizando que estamos juntos, e mesmo quando ele viaja, temos a nossa conexão. Vou explicar o DIREITO do bordado para vocês entenderem melhor o avesso. Essa sou eu, que vou bordando enquanto o maridão não chega. Fiz um bordado livre e rústico cheio de significado para mim. Me bordei com um vestido florido vermelho, meu preferido, na minha máquina de costura, costurando um tecido azul que se transforma num lindo e caudaloso rio, o Amazonas, e nele há um navio, e dentro do navio meu marido. Viram? kkk Lembra da mitologia grega da Penélope? Ela ficava tecendo de dia e destecendo o tecido à noite, postergando um casamento que ela não queria para esperar seu amado Ulisses voltar da guerra. Super me identifico! Meu marido trabalha embarcado e enquanto ele não chega em casa eu fico costurando, esperando ele voltar. Cada um com seu trabalho, até a gente se reencontrar. Em cima da minha cabeça muitos botões, que representam meus pensamentos, ideias e projetos. Bordei também minha casa, com dois corações que são meus filhos. Um sol bem grandão pra dar luz. Um gatinho no cantinho, porque amo gatos! E em volta de tudo uma costura alinhavando, juntando tudo. 🙂 Agora ficou fácil de matar a charada do arco íris no avesso, né?! Mesmo quando ele está lá, estamos ligados.

Saiba mais

Vestido do maracujá

Que bordado bom! Assim como as histórias de tradição oral, os pontos de bordado têm sido transmitidos há décadas basicamente através da oralidade, de bordadeira para bordadeira. Sempre existiram as revistas e livros ensinando esses pontos, mas podemos concordar com unanimidade que entender o bordado com a linguagem escrita é infinitamente mais difícil que na linguagem oral. O forte movimento feminista na década de 60, fez com que essa transmissão da experiência de mãe para filha ficasse temporariamente interrompida. Essas mulheres se libertaram do soutien e também da obrigação de aprender e fazer tarefas que eram consideradas atividades femininas (e o bordar se incluía nessas atividades). Os anos se passaram e hoje as netas dessas mulheres que queimaram seus soutiens em praça pública se voltam cada vez mais ávidas aos encantamentos do bordado. Só que agora, além dos livros e revistas antigos, as bordadeiras modernas têm como aliada a linguagem visual da internet. Milhares de tutoriais no Youtube, grupos do Facebook, perfis no Instagran hoje cumprem as funções das antigas rodas de bordado e dos livros e revistas. E toda essa movimentação no mundo virtual também vem alimentando o retorno das rodas de bordado presenciais. E com isso, o bordado livre só tem a ganhar. O bordado contemporaneo ganhou muita coisa, mas o mais importante é que ganhou exatamente aquilo que as mulheres que romperam com ele buscavam em 1960: O bordado livre ganhou LIBERDADE. Liberdade no fazer, Liberdade no pensar, liberdade no agir, liberdade no estar. Hoje podemos bordar sem a obsessão pela perfeição do avesso, e o desenho pode ser o que quisermos. E pode esquecer aquela historia de bordar as iniciais nas toalhas do enxoval (só se você quiser J) #ufaquebordadobom #resgatebordado #bordadodeverdade

Saiba mais

Acertando o alvo

bor Vou contar um segredo. Quando quero que um desejo aconteça faço um bordado sobre o assunto, para focar minha energia no que quero que aconteça. Nesse bordado fiz um menino, representando meu filho mais velho, concentrado, mirando algo. E é exatamente isso que eu desejo que aconteça. Que no alto de sua adolescência consiga parar e focar. Parar para focar nos estudos mirando nas boas escolhas da vida. Este bordado virou uma almofada pro meu sofá. Bordar pra mim é muito mais que repetir pontos, bordar é meditativo. #EdgeToEdge #BordaABorda #Quilting

Saiba mais

Porque o tempo das coisas é outro…

Eu ainda fabricava bolsas quando descobri e me apaixonei pelo Quilting. Queria mudar a vida e viver quiltando por aí. Foi um período estranho pois tinha a sensação de estar em cima do muro, não fazia nem uma coisa nem a outra por inteiro. Um dia comentei com uma amiga que gostaria que todo esse processo passasse rápido e que meu trabalho com Quilting florescesse igual a pé de maracujá, bem rapidinho. E para materializar essa ideia e realmente ver o processo acontecer, planteium pé de maracujá de verdade na varanda do meu atelier. E enquanto ele crescia, e cresce, meu trabalho e meus clientes e ideias floresceram também. Enquanto o pé brotava eu fiz um curso de extensão na PUC-Rio, “Do tecer ao texto” com a professora Marcela Carvalho que tem como proposta bordar uma história. Foi quando resolvi juntar as duas coisas, o curso e meu pé de maracujá, e me bordei bordando um pé de maracujá cheio de frutos e flores. Reparem que no desenho fui bem literal: eu sentada bordando um enorme pé de maracujá, cheio de flores e frutos.   Descobri que o tempo do bordado é um tempo diferente, muito diferente do nosso tempo de hoje, tempo de internet, e-mail, WhatsApp e Facebook. É um tempo de olhar pra dentro, um tempo de espera, de gestação, bem parecido com o tempo de uma planta crescer. Um tempo que a gente não tem o controle. Um tempo delicioso!   🙂 #sóquembordasabe

Saiba mais

Bordado para porta

Esse bordado fiz pra colocar na porta aqui de casa. Tem meus maravilhosos gatos, meu prédio, um coração cheio que representa minha família e as flores e plantas da minha varanda, que eu amo. Meus pontos do bordado não perfeitinhos, longe disso, mas eu gosto é de bordado assim: LIVRE MESMO.      

Saiba mais

O avesso

Gente, sempre me perguntei porque é regra que o avesso de um bordado deve ser perfeito? Os meus nao são nadinha perfeitos… Tenho pensado muito nisso… Da onde vem isso? Vocês sabem? Concordam? Esse prefacio da EVA FURNARE é tudo! “Você já viu avesso de bordado? Tem nó, tem linha pendurada, é uma confusão! Não dá nem para acreditar que aquele lado feioso faz parte do lado direito, todo bonito. Pois é, o avesso da gente é parecido com isso. Tem coisas que às vezes a gente não quer mostrar, só quer esconder. A beleza, porém, está em saber que todo o direito da gente tem avesso, ou todo avesso tem seu direito, assim como toda sombra tem sua luz. (FURNARI, 1998, p.32)”

Saiba mais