A bolsa de zíper nasceu de um gesto simples e quase distraído. Durante a faculdade, enquanto descascava uma laranja, comecei a tentar tirar toda a casca em um único fio, sem quebrar. Quando coloquei aquela espiral sobre a mesa, percebi que havia ali um desenho interessante. Foi então que pensei: “e se eu ampliasse essa forma e colocasse um zíper em volta, de modo que, ao fechar, ela virasse novamente uma laranja?”
Essa foi a primeira peça da série. Depois vieram outras experiências, outras formas, outras possibilidades de transformar desenho em objeto. Até que um dia, olhando para os rolos de zíper que eu comprava a metro, tive outro insight: por que não fazer a bolsa apenas de zíper, sem tecido nenhum? Como se o próprio zíper fosse a casca da laranja se desenrolando e se reconstruindo ao fechar.
Foi assim que surgiu a bolsa de zíper.
De todos os projetos que já criei, esse talvez seja o mais especial para mim. Foi um enorme sucesso — vendi incontáveis peças, tinha uma margem de lucro excelente e, pela primeira vez, senti que havia criado algo realmente único. Com o tempo, comecei a ver a ideia sendo copiada em muitos lugares. Cheguei a registrar o projeto no INPI, mas entendi que, se até grandes marcas convivem com cópias, eu também conviveria.
Hoje, sinceramente, vejo isso quase como um elogio. Quando uma criação sua passa a ser reproduzida por outras pessoas, é porque ela encontrou o mundo de verdade. E poucas coisas são tão gratificantes quanto perceber que uma ideia nascida de uma casca de laranja sobre uma mesa de faculdade ganhou vida própria.






