Que bordado bom!

Que bordado bom!

Assim como as histórias de tradição oral, os pontos de bordado têm sido transmitidos há décadas basicamente através da oralidade, de bordadeira para bordadeira. Sempre existiram as revistas e livros ensinando esses pontos, mas podemos concordar com unanimidade que entender o bordado com a linguagem escrita é infinitamente mais difícil que na linguagem oral.

O forte movimento feminista na década de 60, fez com que essa transmissão da experiência de mãe para filha ficasse temporariamente interrompida. Essas mulheres se libertaram do soutien e também da obrigação de aprender e fazer tarefas que eram consideradas atividades femininas (e o bordar se incluía nessas atividades).

Os anos se passaram e hoje as netas dessas mulheres que queimaram seus soutiens em praça pública se voltam cada vez mais ávidas aos encantamentos do bordado. Só que agora, além dos livros e revistas antigos, as bordadeiras modernas têm como aliada a linguagem visual da internet. Milhares de tutoriais no Youtube, grupos do Facebook, perfis no Instagran hoje cumprem as funções das antigas rodas de bordado e dos livros e revistas. E toda essa movimentação no mundo virtual também vem alimentando o retorno das rodas de bordado presenciais. E com isso, o bordado livre só tem a ganhar.

O bordado contemporaneo ganhou muita coisa, mas o mais importante é que ganhou exatamente aquilo que as mulheres que romperam com ele buscavam em 1960: O bordado livre ganhou LIBERDADE. Liberdade no fazer, Liberdade no pensar, liberdade no agir, liberdade no estar.

Hoje podemos bordar sem a obsessão pela perfeição do avesso, e o desenho pode ser o que quisermos. E pode esquecer aquela historia de bordar as iniciais nas toalhas do enxoval (só se você quiser J)

#ufaquebordadobom
#resgatebordado
#bordadodeverdade

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